Sunday, January 3, 2010

Destaque: Aphex Twin

Uma introdução genérica ao assunto: IDM.

http://www.thetripwire.com/wp-content/uploads/2009/03/aphextwin.jpgA Intelligent Dance Music apareceu como nos anos 90 como um eco da cena rave que emergiu no Reino Unido na década anterior. Complicada de definir, diga-se que se baseia a fundo no experimentalismo individual do artista, nas noções de ritmo e gosto melódico do mesmo. É música electrónica, embebida em sonoros ambientais, muito rápida, muito lenta, volátil e até orquestral sem qualquer digitalismo, dependendo da faixa/artista que estivermos a escrutinar.

Aphex Twin, nome artístico de Richard D. James, é talvez o seu maior símbolo. Como tal, cumpriu o seu dever enquanto pseudo líder de esmagar absolutamente o rótulo ridículo que é IDM. De um termo elitista e snob, Aphex renovou a nomenclatura do género para Brainmusic.

De resto não sei como mais me explicar. Talvez possa dizer que é música de dança que não permite dançar, ou que estes rapazes são para a música moderna o que os grandes compositores foram para os primórdios da música orquestrada, ou até que a imaginação latente nas arritmias e convulsões rítmicas eleva impreterivelmente este género musical ao estatuto de arte, sem qualquer hipótese de refuta.

Oiçam, apreciem.

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drukQs

PS: Este homem provocou-me pesadelos durante um terço da minha vida. Eis porquê: minuto 1:30 em frente. Mas não se deixem enganar, eu venero esta música.
 

Saturday, January 2, 2010

Destaque: Franz Ferdinand

Um álbum de parabéns para a Elsa que faz uma incógnita de anos neste primeiro dia do ano! (Claro que, como eterno procrastinador, tinha de escrever isto meia hora depois do dito dia ter acabado. Peço imensa  desculpa.)

http://sproad.files.wordpress.com/2009/09/franz-ferdinand1.jpg
Franz Ferdinand, se não neste momento, já estiveram no topo do mundo. Nunca consegui muito bem que os cantantes de Glasgow se entranhassem nas minhas playlists, mas não por falta de esforço. Química, quem sabe...
Mas uma coisa é certa: são muito, muito bons. São os mais alternativos de toda a música corrente. Passo a explicar com uma desnecessária e pedante analogia a Strauss.

Strauss insistia, ao ver que os seus colegas eram exímios na arte musical mas falhados com o público que "vox populi, vox dei" é a regra. A Voz do Povo é a Voz de Deus. Com isto, queria ele dizer, na minha opinião, que o Grande Ente (deêm-lhe o nome que quiserem) pregou uma grande partida ao Homem. O ser humano está divinamente programado para compreender a música a um nível que não consegue quantificar nem racionalizar. E o Povo sabe o que é boa música, mesmo não o sabendo. (Ps. assunto com pano para inúmeras mangas.)

Com isto estabelecido, os arquiduques são uns fenómenos da música popular. Madonna e Jackson, bons. Mas marionetas. Estes rapazes, e especialmente Alex Kapranos como toda a gente sabe, são mestres da composição de catchy tunes, de música que fica no ouvido e insiste em manifestar-se mentalmente décadas após uma primeira audição. São trovadores natos e o seu conhecimento melódico não fica muito aquém dos compositores mais galardoados (não que a banda não tenha já o seu punhado de extraordinários láureos como o infame/famoso Mercury Prize). Quem disse que a Pop tem de ser banal e desprovido de conteúdo? Pop é o género musical por excelência quando tocado por génios: basta pensar em Freddie Mercury.

Mesmo assim, como já toda a gente ouviu e re-ouviu os álbuns originais, achei que era interessante partilhar um álbum de remixes em formato dub. Resultou de uma colaboração do produtor Dan Cary (Hot Chip, CSS, Sly & Robbie e Lilly Allen) e os miúdos. Está surpreendentemente bom, se isso diz alguma coisa a alguém.


http://mindinversion.files.wordpress.com/2009/06/blood-franz.jpg

Wednesday, December 30, 2009

Destaque DVD: The Devil and Daniel Johnston

Catarina, muito obrigado pelo comentário e aqui está um presente para ti. E para todos os interessados, claro. (Este blog é politicamente correcto!)

http://chrishanaka.files.wordpress.com/2009/06/devil_and_daniel_johnston2.jpg
2005
imdb: 7.9
Jeff Feuerzeig
"Daniel Johnston, manic-depressive genius singer/songwriter/artist 
is revealed in this portrait of madness, creativity and love"

Tuesday, December 29, 2009

Menções Honrosas

Há alguns álbuns que me ficaram na cabeça, por uma razão ou por outra, que achei que devia mencionar. Sejam eles:


Kings Of Leon - Youth And Young Manhood
The Killers - Sam's Town 
Mumford & Sons - Sigh No More
Deerhoof - Green Cosmos EP
Edward Sharpe & The Magnetic Zero - From Below
Harlem Shakes - Technicolor Health
The xx - xx
Monsters Of Folk - Monsters Of Folk
Eli "Paperboy" Reed & The True Loves - Roll With You
Why? - Alopecia
Muse - Absolution
Panda Bear - Person Pitch
The National - Alligator

E finalmente, como é que me posso ter esquecido deste?.... Obra cimeira do segundo milénio depois do Judeu. Foi o meu álbum preferido da década, sem qualquer tipo de dúvida ou pestanejar:


Beirut -Flying Club Cup

Monday, December 28, 2009

Top 25 da Década

Ora cá estamos! A lista da praxe, os anos 2000 em top musical:


 (clickar nos álbuns para fazer o download)

25. Micachu & The Shapes - Jewellery (2009)
24. Darla Farmer - Rewriting The Electric Forest  (2009)
23. Bill Callahan - Sometimes I Wish We Were An Eagle (2009)
22. Fuck Buttons - Tarot Sport (2009)
21. Dr. Dog - Fate (2008)
20. Cat Power - You Are Free (2003)
19. Godpseed You Black Emperor!-Lift Your Skinny Fists like Antennas to Heaven(2000)
18. Animal Collective - Merriweather Post Pavilion (2009)
17. The Mars Volta - Amputechture (2006)
16. Bright Eyes - Fevers And Mirrors (2000)
15. Arctic Monkeys - Whatever People Say I Am, That's What I'm Not  (2006)
14. MGMT - Oracular Spectacular (2007)
13.  Nick Cave & the Bad Seeds - Abattoir Blues/Lyre of Orpheus (2004)
12. The Shins - Chutes Too Narrow (2003)
11. Justice - (2007)
10. Dirty Projectors - Bitte Orca (2009)
9. The White Stripes - Elephant (2003)
8. B Fachada - B Fachada (2009)
7. Interpol - Turn on the Bright Lights (2002)
6. Vampire Weekend - Vampire Weekend (2007)
5. Radiohead - Kid A (2000)
4. Sigur Rós Ágætis Byrjun (2000)
3. Cat Power - The Greatest (2006)
2. Arcade Fire - Funeral (2004)
1. Sufjan Stevens - Illinoise (2005)

Muitos ficaram para trás mas quem sabe, talvez noutro top.

Destaque: Daniel Johnston

http://hlaphotography.com/csblog/images/johnstonbeatles.jpgAqui está um dos mais desconhecidos e influentes músicos do final do século XX. Daniel Johnston deve ser um dos artistas mais naturalmente talentosos, mais honesto e puerilmente ingénuo que alguma vez viveu. Quero que se perceba uma coisa: sem contar com outros géneros, o indie e principalmente o anti-folk não existiriam hoje como o conhecemos. Aos 17 anos aprendeu a tocar guitarra e piano de igreja. Depois de uma longa incisão no mundo das artes plásticas, ingressou pela música, transformando a sua cave num laboratório de arte e mundos fantasiosos. Transpirando honestidade, é refrescante saber que ainda se dá valor (mesmo que não muito) a quem faz arte pela arte.

Sem querer fama nem reconhecimento, Johnston subiu ao que podemos (mas não devemos) chamar mainstream quando Kurt Cobain (o seu seguidor #1) foi fotografado inúmeras vezes com uma t-shirt com a capa do álbum Hi, How Are You? Isso despoletou uma consciência sobre quem era na realidade este homem e, qual Robert Johnson, a lenda ganhou contornos.

A primeira coisa que alguma vez li, e segui à letra até há alguns dias, sobre Johnston: "if you want to feel Dan Johnston's music in all it's glorious gullibility, you must disregard or even avoid the lore and personal history of his life."

Isto porque o homem viveu uma história digna de filme (existe um documentário genial sobre ele chamado The Devil And Daniel Johnston), facto que pode ofuscar a objectividade com que se ouve a sua obra. Por isso tentei omitir os dados biográficos neste post. Deixo apenas um dos milhares de factos mirabolantes da sua existência:
Na altura da sua descoberta por parte das editoras (após o episódio Kurt Cobain) Johnston estava internado há 2 anos num asilo psiquiátrico.

Quanto a este álbum, foi pedido a artistas que se sentissem influenciados pela obra de Daniel Johnston que fizessem covers das suas músicas. Alguns nomes: Tom Waits, Gordon Gano, Death Cab For Cutie, M. Ward, Sparklehorse, The Flaming Lips, Mercury Rev, Bright Eyes (Conor Oberst definitivamente não existiria musicalmente sem Johnston), Beck, TV On The Radio e Eels. Chega? Não? Então o 2º CD contém os originais cantados por Johnston.

 http://www.utterli.com/imgs/i/18/186c75b4adce578fce3fc1ea162b0020.jpeg

Ps: Não, Johnston ainda não morreu.

Sunday, December 27, 2009

Destaque: CAKE

CAKE são uma banda que me fascina. De melodia, não têm muito e de cantilenas, muito menos. Num ritmo quase falado, sincopado e a assemelhar-se ao rap, John McCrea lidera o grupo desde meados dos anos 90 no que foi uma ascenção meteórica ao pódio da música alternativa.

Misturam Indie com funk com rap com jazz com country com rock com rockabilly sob uma camada ardilosa de pop bem estruturada. Lançaram ainda um fenomenal álbum de raridades e lados B com várias das suas covers extraordinárias: I Will Survive; Never, Never Gonna Give You Up (não o fabuloso hino de Rick Astley, a do Barry White); War Pigs, Mahna Mahna, Strangers in The Night estão entre as melhores.

Recomendado com selo de garantia Orquestrado.

http://behnnie.files.wordpress.com/2009/02/cake-fashion-nugget.jpg